LIVRO MOSTRA COMO O PARANÁ RECEBEU MUITA GENTE FUGINDO DA MISÉRIA DA GUERRA E DO NAZISMO

07/12/2012 19:29

Nicolau Schauff, hoje com 75 anos, tinha apenas dois quando deixou a Alemanha para morar no Brasil. Veio com o pai, fugido do nazismo de Hitler e do fascismo de Mussolini, na Itália. Chegou em 1939, na iminência da 2ª Guerra Mundial, e foi direto a Rolândia, por intermédio da colonização inglesa no Norte do Paraná. Entretanto, os primeiros alemães chegaram ao Paraná ainda no Império de Dom Pedro I. O livro Imigração alemã no Paraná, organizado por Haro Viteck, celebra os 180 dos imigrantes germânicos no estado.

 

 

“Eu nasci em 1937 numa pequena aldeia perto de Colônia. Em seguida, meu pai teve de ir embora porque não concordava com o nazismo”, conta Nicolau, filho do então deputado alemão Johannes Schauff. O pai pertencia ao tradicional Partido de Centro Católico, inicialmente acordado com Hitler, mas que posteriormente violou os termos do acordo. “Meu pai era contrário às ações de Hitler. Então, primeiramente foi para a Roma. Quando Hitler se aliou a Mussolini, meu pai pegou um navio em Nápoles e veio ao Brasil”, diz.

Alguns anos antes, Johannes Schauff já havia deixado o cargo político que ocupava por não concordar com as ideias do nazismo. Empregara-se na filial da Paraná Plantation, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). “Meu pai perdeu o cargo político em 1933. Antes de eu nascer ele já tinha vindo para o Brasil umas oito vezes, para apontar pessoas que queriam ser imigrantes, alemães que tinham condições, e para comprar terras em Rolândia”, afirma. Nessa época, vieram 80 famílias de judeus, que compraram terras por aqui para fugir de Hitler.

 

Anos depois da guerra, em 1950, Johannes voltou para a Europa. “Tive a oportunidade de fazer o ginásio na Itália e a universidade na Alemanha. Mas voltei em 1962, porque meu pai precisava de alguém para administrar a fazenda em Rolândia. Voltei recém-casado e sempre quis ficar no Brasil”, justifica Nicolau. Johannes morreu naturalmente aos 88 anos, e foi sepultado em Roma.

 

Rota

 

A rota brasileira estava no caminho de muitos alemães fugidos da guerra. Era destino também de pequenos agricultores que queriam escapar dos tempos escassos do pós-guerra, já que a Europa ficou devastada após a 1ª Grande Guerra. “Em 1932 chegaram os primeiros alemães em Rolândia. Conta-se que foi Oswald Nixdorf. Mas ele chegou a Londrina. Veio para orientar os alemães que chegavam da Europa”, explica a pesquisadora Cláudia Portellinha Schwengber. Entre os imigrantes, muitos políticos. “O Geert Koch-Weser era ministro alemão [do Reich] que percebera as dificuldades para sobreviver na Alemanha.”

 

Propaganda

 

Muitos escolheram Rolândia porque foram atraídos pela propaganda da CTNP. “A Companhia tinha propaganda em inglês, em alemão, em italiano e até em japonês. Os imigrantes chegavam e compravam terras. No início, até linho plantaram. Mas não deu muito certo, e depois enriqueceram com o café.”

 

Alguns alemães chegaram com bons recursos. “Aí eles pagavam os camaradas [o equivalente a boias-frias] para derrubarem as matas e plantar. Mesmo alemães da alta sociedade vieram para serem agricultores”, diz a pesquisadora.

 

Serviço – Imigração Alemã no Paraná – 180 anos. Organizador: Harto Viteck. Editora Germânica, 2012, 259 páginas. Mais informações: imigracaoalemanoparana.com.br.

 

fonte: Jornal de Londrina