MARQUITO SE ELEGE VEREADOR EM SÃO PAULO

 

O humorista, 52, assumirá em 1º de janeiro uma das 55 cadeiras da Câmara, no lugar de Celso Jatene, escolhido pelo prefeito eleito Fernando Haddad (PT) para comandar a Secretaria de Esportes.

Marquito ressaltou, em entrevista à sãopaulo, que não é um "novo Tiririca". Mas assume que o tem como exemplo. "Ele nasceu no Ceará, eu nasci em São Paulo. São duas personalidades diferentes. Mas ele está sendo um dos melhores parlamentares. Lógico que me espelho nele", afirma o assistente de palco do apresentador Ratinho.

 

 

Embora ainda não tenha um projeto elaborado, Marquito demonstra preocupação com a rede de saúde municipal. "Aonde eu ia fazer campanha, eu via os postos de saúde. Está uma calamidade", relata.

Com três filhos e três netos, o morador da Casa Verde (zona norte) considera o valor gasto na campanha --R$ 8,8 mil-- um bom investimento. Conquistou 22.198 votos. "Fui com pouco dinheiro, trabalhei na raça. Eu não tive muito apoio. O Tiririca teve milhões, televisão... Eu não tive isso. Apareci na televisão cinco ou seis vezes", conta o comediante, que tentou um cargo público pela segunda vez --a primeira foi em 2008, quando disputou uma vaga na Câmara de São Lourenço da Serra (Grande São Paulo).

ABAIXO, LEIA ENTREVISTA COM O FUTURO VEREADOR DE SP:

 

saõpaulo - Já é sua segunda candidatura. Por que decidiu entrar na política?
Marquito - Eu decidi porque o Ratinho parou de ajudar o povo. A mídia e o público pegaram no pé dele, começaram a reclamar que ele mostrava pessoas doentes... Mas, na verdade, ele gosta mesmo de ajudar. Com essa pausa, aonde eu ia fazer shows, o pessoal vinha e falava: "Marquito, me ajuda... preciso de uma cadeira de roda, minha filha está internada..." E o que eu podia fazer? Nada. Aí eu falei pro Ratinho que me candidataria a vereador e que iria brigar pelo meu povo que é tão sofrido. Agora vou fazer o que eu posso. Somos 55 vereadores. Precisamos respeitar e ajudar uns aos outros. Para São Paulo melhorar todos precisam trabalhar juntos. São Paulo não muda de uma vez. A cidade melhora aos poucos.

 

Tem algum projeto já em mente?
Saúde para mim está em primeiro lugar. Tenho a saúde como prioridade, mas projeto só o ano que vem. Aonde eu ia fazer campanha, eu via os postos de saúde. Está uma calamidade. Estou com um assessor e uma equipe muito boa. Sem equipe o vereador não é nada. Agora não adianta cobrar, nem entrei lá ainda. Mas sei que o primeiro que vão cobrar sou eu, porque sou conhecido, trabalho com o Ratinho...

 

As comparações com o Tiririca são comuns. Como lida com elas?
Eu não sou o Tiririca. Ele nasceu no Ceará, eu nasci em São Paulo. São duas personalidades diferentes. Somos dois humoristas com experiências diferentes. Eu fiz aquela brincadeira do slogan "Esquisito por esquisito, vote no Marquito". Melhor votar em um esquisito da televisão que faz graça do que votar em um esquisito que está dentro da Câmara e não faz nada, por exemplo. Essa foi a minha brincadeira. Aqui [na Câmara] vou fazer a minha parte. Ele [Tiririca] está sendo um dos melhores parlamentares. Lógico que me espelho nele. Tem que vir, bater cartão, respeitar o povo, ficar com a porta do gabinete aberta para o público. Como é que fica se quem votou em você vem aqui e encontra a porta fechada? O povo não pode ser humilhado.

 

Vai parar com os trabalhos na televisão?
Não pretendo deixar de trabalhar na televisão. Já falei com o Ratinho que não largo ele por nada. Ele foi fiel até agora, por que eu vou ser desleal e largar ele [sic]? Eu trabalho de dia e à noite vou para a televisão, fazer graça, porque o povo quer rir. De dia vou fazer o povo rir, mas de outro jeito.

 

 

Você se deu melhor que o Dr. Farhat (PR), apoiado pelo Ratinho, e seu primo Raul Gil Jr. (PSC)...
Infelizmente o Dr. Farhat não chegou. Agnaldo Timóteo (PR), que é um grande amigo, também não conseguiu. Meu primo Raul Gil Jr. também não conseguiu. Eu fico triste por eles, pois são meus amigos. Estive com meu tio [Raul Gil] que me parabenizou e disse que meu primo pode me ajudar com ideias.

 

Você gastou menos de R$ 9 mil na campanha e teve mais de 22 mil votos. Foi um bom investimento?
Foi um dinheiro bem investido. Fui com pouco dinheiro, trabalhei na raça. Eu não tive muito apoio. O Tiririca teve milhões, televisão... Eu não tive isso. Apareci na televisão cinco ou seis vezes. Três delas com o Ratinho, o que me deu uma alavancada. Eu trabalhei bastante, fui às periferias...

 

Em 2008, declarou à Justiça Eleitoral R$ 451 mil. Neste ano, seu patrimônio declarado foi bem inferior: R$ 52 mil. O que houve?
Eu estava desempregado, né... Fiquei dois anos e meio parado. Agora que o Ratinho voltou. Foi difícil, mas os shows me ajudam muito. Eu faço shows de humor, conto piadas... Não passei dificuldades, pois tinha o Ratinho ao meu lado. Eu só passei dificuldades quando era criança. Fiquei sem trabalhar e muito tenso por estar fora do ar. Eu adoro a televisão. Quem gosta da TV vai morrer nela.

COLABOROU ELVIS PEREIRA