MUITAS HOMENAGENS EM CEMITÉRIO ONDE MAMONAS ASSASSINAS ESTÃO ENTERRADOS

Violinos tocam uma versão de "Pelados em Santos", sucesso da banda paulista Mamonas Assassinas de 1995, no fim de tarde deste domingo (1), no Cemitério Primaveras, em Guarulhos. 
É lá que estão enterrados Alecsander Alves Leite (o Dinho), Sérgio e Samuel Reoli, Júlio Rasec e Bento Hinodo, membros do grupo, mortos em 2 de março de 1996 quando o jatinho em que estavam se chocou contra a Serra da Cantareira. 
Acompanhando a música, um grupo de fãs e familiares se dirige para o lado de fora de uma tenda montada no cemitério para o cortejo em homenagem à banda, cuja morte completa 20 anos em 2016. A ideia inicial era a de percorrer o cemitério até a área seis, onde estão os túmulos, mas a chuva faz com que o trajeto seja transferido. 
Somavam-se cerca de cem pessoas no local onde se inaugura uma faixa que conta a trajetória da banda desde o nascimento de Júlio, em 1968. Ela deve permanecer no Primaveras até o aniversário da morte, segundo a assessoria do evento. 
"A saudade sempre aumenta um pouco nesses momentos", diz Francisco José de Oliveira, 76, o Ito, pai de Sérgio e Samuel. "Mas a gente fica muito contente de ver que o pessoal não esqueceu deles, que continua ouvindo as músicas." 
COVER 
Mais do que só escutar faz o músico Júnior Maninho, 32, que foi à homenagem com uma camiseta da banda. Ele, que tinha apenas 14 anos à época do acidente, é desde 2010 o vocalista da banda Sonrisal, o "cover oficial dos Mamonas". 
Os Mamonas Assassinas ficaram famosos com músicas escrachadas, como "Robocop Gay", "Vira-Vira", "Sábado de Sol", e "Sabão Crá-Crá". Seu único disco, de 1995, vendeu mais de 2,3 milhões de cópias. 
"Eu lembro como se fosse ontem", conta ele, sobre a data do acidente. "Eu estava numa festa de aniversário e ficou tocando Mamonas a noite toda. Eu cheguei em casa de manhã, e tocou o telefone, era a minha avó me dando a notícia". 
Segundo seu companheiro de banda, Marcelo Guerreiro, 51, foi o próprio Dinho que teria dado o nome para a banda - seria um neologismo para o "som do riso". "Nada a ver com o antiácido", ri ele. 
Ana Paula Rasec, irmã de Júlio, o mais velho da banda, que faria 48 anos em janeiro, também se lembra do momento em que ficou sabendo do acidente. 
"Eu estava em casa esperando eles me ligarem do aeroporto", conta. "Eu ia buscá-los, porque eles estavam voltando de Brasília e iam viajar para Portugal no dia seguinte." 
Hoje, quase 20 anos depois, ela diz ir ainda todo final de semana visitar o túmulo do irmão e seus amigos. 
NOVA GERAÇÃO 
Se Júnior tinha 14 anos, Luiza Menezes ainda não tinha nascido quando a banda morreu. Isso não impediu a menina, de 17 anos, de virar fã. "Eles fizeram parte da minha infância", diz ela, trajando uma camiseta com foto da banda. "Até os sete, oito anos, eu não sabia que eles tinham morrido. Mas ainda era criança quando vim no cemitério pela primeira vez, com os meus pais." 
No domingo, nem a chuva que não cessava a intimidou, e ela, junto com um grupo de amigos, todos vestindo adereços que lembravam os Mamonas, foram depositar um cartaz de papelão no túmulo dos ídolos. 
Ela já planeja voltar no ano que vem, no aniversário, quer haja outra homenagem, quer não. "Não importa se vai ter algo, a gente vai estar sempre aqui".

 

 

ANGELA BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)